
Ódio é o sentimento com grau de confusão gêmeo ao amor. Semelhante a raiva e a ira, o ódio desperta reações físicas e psicológicas quase indescritíveis. Num termômetro sóbrio, a raiva está na base, passando pela ira e finalmente alcançando o viscoso ódio.
Mesmo sem saber quem proferiu a famosa (e magnífica) frase de que o ódio anda lado a lado ao amor, inclino-me a concordar piamente com esse sábio. Ao contrário do que a maioria das pessoas acham, o ódio não é de todo um sentimento repugnante e negativo. Assim como qualquer outro sentimento, o ódio precisa de atenção, precisa ser sentido sem pudor.
Esse sentimento que tem o incrível dom de aprisionar o sorriso, tem também a capacidade de parecer eterno. Sentimento pulsante que cria raízes por cada extremidade do seu corpo, tomando conta da razão.
Mas não é exatamente isso que faz o amor?
Acho que finalmente consigo assimilar a semelhança sombria entre esses gêmeos. E quando se sente sem ar, a beira do desespero e se despedindo eternamente do pingo de sanidade que ainda estava armazenado no cérebro, percebe-se que ele, o ódio, finalmente se enraizou, o que enfim torna mais fácil o convívio árduo com a amargura do gêmeo ruim.
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